Marcadores: , ,

Quadros: alumínio ou chromoly?

Essa é uma briga antiga para bicicletas de viagem. O material mais comum utilizado na fabricação de bicicletas hoje em dia é o alumínio. É leve, resistente, barato, de fácil fabricação em larga escala e não enferruja.

O Cromo-Molibdênio é uma liga de aço mais resistente que o aço-carbono, o famoso “ferro” das bikes antigas. Pela maior resistência, é possível construir quadros com tubos mais finos, e portanto mais leves. Ele guarda ainda a maleabilidade do aço, o que favorece o conforto e permite ser soldado mais facilmente. Quadros de chromoly que a gente encontra no Brasil hoje podem ter três origens: ou eles vêm direto dos anos 90, quando a liga entrou na moda e muita gente trouxe suas Trek’s, GT’s, Specialized’s dos Estados Unidos pra cá; ou eles são recentes, importados da Europa e voltados para o cicloturismo, como quadros da Raleigh, Ridgeback, Surly, entre outras; ou eles foram feitos aqui, pelos poucos soldadores de quadros que temos no Brasil, como André Myamura ou as bikes Tr3ze.

Eu tenho bikes dos dois materiais. Prefiro chromoly. Gosto muito da sensação de ter algo mais maleável, mais “orgânico” entre as pernas. A minha impressão é que ele amortece melhor os impactos e responde melhor às minhas pedaladas. Quadros de cromo também costumam ter furação para bagageiro e para-lamas, algo que dou importância.O Cromo-molibdênio tem uma desvantagem que muita gente esquece: ele enferruja. Sim, é algo que você só vai ter que se preocupar depois de décadas usando a bicicleta (um pouco mais cedo se viver na praia), e é fácil evitar: esmalte transparente para impermeabilizar os riscos externos, e um pouco de WD-40 de meses em meses por dentro dos tubos, para evitar corrosão. Mas é algo a se pensar.

A coisa é que virou quase regra recomendar quadros de cromo-molibdenio para todo e qualquer cicloturista por aí, e meter o pau no quadro de alumínio, como se pedalar num quadro de cromo fosse uma poltrona reclinável comparada a um banquinho de metal vagabundo. A verdade é que tem muito quadro de alumínio bom por aí, e muita gente atravessando milhares e milhares de quilômetros com eles. O que eu sugiro: não vá só pelo que você lê na internet, experimente os dois metais. Veja se sente alguma diferença. Não faz sentido pegar um quadro que não encaixa com você ou que não te agrade só porque falaram que o material dele é melhor.

Mas alumínio não pega solda!

Esse parece ser o argumento matador para escolher o cromo-molibdênio. A conversa vai mais ou menos assim: você está pedalando no meio do nada, entre cidadezinhas de um sertão qualquer por aí. E por causa de uma queda mais feia ou simples desgaste do material, o quadro quebra em dois. Impossível pedalar. Se você tem um quadro de alumínio, está lascado. Soldar alumínio é um processo delicado e precisa de equipamento específico, muito difícil de encontrar fora das capitais. Vai ter que ir de ônibus até a cidade grande e provavelmente comprar um novo quadro. Agora, se você foi esperto e estava com um quadro de cromoly, é só achar qualquer máquina de solda simples na próxima cidadezinha (ou até em algumas fazendas), pagar 15 reais pelo serviço e seguir viagem.

Essa história pode até fazer sentido há uns anos atrás, quando era comum quadro quebrar. Mas hoje, quantos quadros de qualidadevocê vê dando problema por aí? Muitas empresas gringas – e até a brasileira Soul – dão garantia vitalícia para seus quadros de alumínio. O único quadro que eu tive que quebrou foi um de cromoly, um GT Outpost de 1994. Sim, foi fácil de resolver, mas mais fácil ainda é ter um quadro resistente e de qualidade, que não vai ter dar dor de cabeça. não importando o material.


Fonte: http://ciclomundo.com.br/

0 comentários:

Postar um comentário